terça-feira, 14 de dezembro de 2010 | By: Rodrigo Pael

Homenagem a um quase desconhecido

Mesmo com traços delicados e olhos claros, ainda não era bonito, seu olhar, os dentes para frente e a atrofia em um de seus braços e em uma de suas pernas, que já denunciavam alguma deficiência motora. Lembro que quando éramos crianças, ou pré-adolescentes, algo me foi explicado neste sentido, acho que era paralisia cerebral, não que isso o atrapalhasse, não mesmo...
Ele jogava bola conosco, não me lembro do seu nome, era ligeiro. Para driblar as limitações tocava a bola de maneira rápida e certeira, seus colegas o tratavam, e ainda o fazem, com muito carinho, nada em excesso, não é caridade, é uma normal simpatia e carisma.
Depois de algum tempo resolvi, racionalmente, ficar mais recluso, sempre preocupado com meu futuro, voltei-me para dentro de mim, para os estudos e não tenho do que reclamar, mas perdi contato... Voltando a história do rapaz, não é que me surpreendo com a presença dele na mesma universidade que eu, ele cursava direito, e eu jornalismo. Esta nova etapa na vida dele, me fazia pensar na minha, será que eu cursaria uma faculdade com tais limitações?
Sou reclamão, mal humorado, mas aprendo muito com a observação, aprendo mais assim que em toda a minha vida acadêmica, parece que a graduação e o  mestrado me serviram para dar nome as coisas e sensações que já me foram ensinadas... No final do meu curso, andando pela rua de minha vila, em Campo Grande (MS), o vi novamente, passou ligeiro dirigindo um uno vinho, ou seja, agora, de alguma forma, ele dirigia, ia para a Universidade de carro, na mesma velocidade que passava pelas ruas e esquinas, ultrapassava as dificuldades sem as enxergar. 
Bom, chegamos ao fim deste texto, mas não ao último capitulo desta história de sucesso. Há algum tempo o vi acompanhado de uma jovem entrando na academia onde freqüentava, simpático, mancava levemente, imperceptíveis... dificuldades não o impediam de realizar os exercícios, terminado, sorriu aos amigos, fechou a cara aos desconhecidos, se despediu da recepcionista e foi embora... você ia comentar de algum problema seu? Qual era mesmo? Esqueceu? Tudo bem, hoje eu também esqueci de alguns...

1 comentários:

luciana disse...

OI PAEL, LENDO SEUS TEXTOS ME DEPARO COM O POUCO TEMPO EM QUE CONVIVEMOS JUNTOS, PARECE QUE OUÇO VOCÊ A CONTAR HISTÓRIAS DE PESSOAS, LUGARES, OU FATOS QUE PASSAM DESAPERCEBIDOS, MAS QUE VOCÊ FAZIA QUESTÃO DE FALAR...NÓS TAMBÉM ÉRAMOS DOZE PESSOAS, QUASE DESCONHECIDAS MAS COM UMA GRANDE VONTADE DE FAZER TUDO DAR CERTO....E ASSIM COMO ESSE QUASE DESCONHECIDO, DEIXAMOS TODAS NOSSAS DIFICULDADES POR UM ÚNICO OBJETIVO, FAZER A DIFERENÇA NA VIDA DE ALGUÉM.......

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